5º Semestre - "Tropeirismo - Planejamento Feira Cultural Regional"

UNIDADE PÓLO SOROCABA – SP




CURSO DE PEDAGOGIA



DESAFIO PROFISSIONAL


Organização e Metodologia do Ensino Fundamental
Didática da História e da Geografia
Expressões Artísticas na Educação Infantil
Educação Aplicada aos Cuidados da Criança
Avaliação e Currículo




ELIZETE GARCIA CÂNDIDO PEREIRA





Tutora: Elaine Vieira Pinheiro / Aline Tereza Zamboni




Sorocaba, 01 de junho de 2017.



1.    Introdução

“A história compõe a identidade de um povo. Se ela não é cultivada, corre o risco de desaparecer”.
O desafio profissional a seguir vem com o propósito de resgatar, divulgar e valorizar a cultura tropeira, cujo marco e fama foram conquistados graças às Feiras de Muares. Este trabalho focará na Região de cidade de Sorocaba, onde o Tropeirismo fez parte dessa composição e foi um ciclo indispensável à compreensão do que se é hoje e de como será no futuro.
O Tropeirismo começou por volta de 1733, com o português Cristóvão Pereira de Abreu, que abriu estrada ligando Curitiba a Sorocaba, conduzindo mulas e gado. E foi a partir de 1750, com o Registro de Animais ao lado da ponte sobre o Rio Sorocaba, que se tornou sistemática a passagem de tropas xucras ou arreadas por aqui e a consequente realização das grandes feiras que, em geral, duravam dois meses. Terminou por volta de 1897, quando se realizou a última feira em Sorocaba. Os anos de 1750 a 1850 são considerados como a fase áurea do tropeirismo.
A partir do início da implantação das ferrovias, em 1875, começou a definhar o comércio de tropas. Sorocaba teve sua última feira em 1897, quando ocorreu o primeiro surto de febre amarela que encerrou esse capítulo da história sorocabana, embora o comércio de animais, muares, equinos trazidos do Sul, tenha continuado até meados do século XX.
O tropeirismo caracterizou-se pelo uso generalizado do lombo de animal, equino ou muar; especialmente este, para o transporte de cargas. O que se faz hoje em caminhões, era feito pelas tropas arreadas, isto é, um conjunto de 8 a 10 animais equipados com cangalhas nas quais eram penduradas as canastras ou as bruacas contendo as mercadorias. Esse tipo de tropa, também chamada de tropa cargueira ou de comércio, era constituída por animais mansos, tendo à frente a mula da "cabeçada", assim chamada por sua posição na tropa e porque levava na cabeça ou pescoço, alguns guizos, tendo o cabresto encimado por um pano vermelho: a "boneca", sempre seguida pelos outros animais, inclusive a "madrinha", se estivesse presente.
Cada tropa tinha seus homens responsáveis que a conduziam a pé e cuidavam de outras tarefas, como cozinha e arreamento. O tropeiro era o chefe e geralmente ia montado. Sem a tropa arreada, levando e trazendo mantimentos, roupas e utensílios, dificilmente as "ilhas de civilização" que eram as pequenas povoações espalhadas por esse imenso país teriam sobrevivido. Entretanto, foi a tropa solta ou xucra, que os tropeiros de Sorocaba e Região Sul, traziam dos pampas gaúchos até Sorocaba, onde os animais eram domados por famosos peões e vendidos nas feiras que aqui se realizavam, principal fornecedora do meio mais eficiente de transporte da época: o muar.
Longe de serem comerciantes especializados, os tropeiros compravam e vendiam de tudo um pouco: escravos, ferramentas, vestimentas etc. A existência do tropeirismo estava intimamente relacionada ao ir e vir pelos caminhos e estradas, com destaque para a Estrada real - via pela qual o ouro mineiro chegou ao porto do Rio de Janeiro e seguiu para Portugal. O constante movimento, o ir e vir das tropas, não só viabilizou o comércio como também se tornou elemento chave na reprodução econômica do tropeirismo.
Os tropeiros transportavam uma grande variedade de mercadorias como o açúcar mascavo, aguardente, vinagre, vinho, azeite, bacalhau, peixe seco, queijo, manteiga, biscoito, passas, noz, farinha, gengibre, sabão, fruta seca, chouriço, salame, tecido, alfaias, marmelada, coco, carne seca, algodão, sal, vidro para janela etc.
O traje de um tropeiro era composto por um grande chapéu de feltro marrom ou cinza, a camisa acompanhava a cor do chapéu e era feita de um tecido muito resistente. Ainda fazia parte do traje uma capa, ou manta, que ficava sobre os ombros e tinha a finalidade de proteger do frio. Por fim, os cavaleiros usavam botas de couro que iam até a altura da coxa, calçados como esses eram utilizados por oferecer mais proteção em terrenos alagados e mata em dias chuvosos.
A comida tropeira era simples, prática e sustentava. Ele levava para comer no caminho o feijão, o arroz, a carne-seca e o toucinho. Depois vinham os acompanhamentos, como as farinhas de milho e de mandioca, o sal, o alho, o açúcar e o pó-de-café.
Os animais vinham do Sul e os pousos para descanso deram origens a várias cidades, desde Viamão, no Rio Grande do Sul, até Lajes, em Santa Catarina, e Itararé, em São Paulo. Os negócios aconteciam em regiões de pastagens conhecidas como Araçoiabinha, Ipatinga, Jundiaquara, Campo do Meio e Rio Verde. Depois, as tropas se dirigiam a Sorocaba e atravessavam o rio que dá nome à cidade. E seguiam pelo caminho que atualmente recebe o nome de avenida São Paulo.

Esse patrimônio não pode ser tratado com indiferença, temos que resgatar as raízes local e fazer ser conhecida a história cultural da cidade, para não correr o risco desta história se perder.

2.    Desenvolvimento

2.1.         Passo 1 – Planejamento da Feira Cultural Regional

Nome da Escola: Escola Estadual Orlando Reis
Nome das Professoras: Maria Cristina, Fernanda, Tânia e Tulio
Turmas envolvidas: 4ºs anos A, B, C e D
Proposta: É indispensável despertar na criança a noção de valores e de pertença para que se reconheçam como pessoas integradas à história do local onde moram. Desse modo estaremos contribuindo no processo de construção da cidadania. A valorização do legado histórico e do patrimônio natural e sua importância socioeconômica, geográfica, histórica e cultural, abordados nas oficinas, que irão auxiliar na descoberta ou reconhecimento da identidade, além de propiciar a socialização da criança.
Objetivos: Promover educação, cultura e entretenimento, além de despertar o interesse pela leitura através das diversas formas de linguagem.
Despertar nos alunos a identificação de suas origens, colaborar com o processo de formação da cidadania, promover o respeito à diversidade étnico-cultural e ao patrimônio, relacionar o Tropeirismo ao surgimento das cidades ao longo das tropas.
Disciplinas envolvidas: História, Geografia, Português e Artes.
Conteúdos: História do Tropeirismo em Sorocaba; culinária (Receita da Paçoca e Feijão Tropeiro); a importância das Mulas no Tropeirismo; oficina de mulinhas de barro; roupas típicas da época; roda de viola; a história do cururu; caminho das Tropas; a história do Cordel.
Metodologia: Abordagens multidisciplinares relacionando o Tropeirismo à geografia, história, português e artes ao folclore e música ao vivo; roupas e comidas típicas.
Pessoas envolvidas a respectivas responsabilidades: Alunos e convidados (amigos e familiares) serão os principais envolvidos nas atividades propostas na feira. Professores para auxiliar e monitorar as atividades dos alunos e convidados.
Produções Pedagógicas para a Feira: visitas a Biblioteca Municipal, Visita na cozinha da escola (culinária), confecção de roupas para desfile na Feira. Confecção de violas (em papelão). Elaboração de frases com rimas cantadas. História dos tropeiros. Confecção de montagem de livretos.
Cronograma de cada ação: Período da aula (entre 8:00 e 11:00 horas).
Recursos didáticos: Livros, vídeos e fotos. Ingredientes culinários. Argila. Tecidos. Caixa de papelão, nylon e cola. Computador.
Avaliação: Redação feita pelos alunos, socialização, exposição de artes. Assimilação dos conteúdos da feira com as matérias envolvidas.

2.2.         Passo 2 – Planejamento de aula

Dia 1
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
História do Tropeirismo em Sorocaba.
Despertar na criança a noção de valores e pertença ao local.
Visita na Biblioteca Municipal com acervo sobre a História de Sorocaba.
Livros, vídeos e fotos.
Serão avaliados através de redação sobre o conteúdo proposto.
Período da aula
8h às 11h

Dia 2
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
Culinária:
Receita da Paçoca.
Aprender quais alimentos usados na época.
Visita na cozinha da escola, junto com a merendeira, onde os alunos farão a receita.
Pedir para os pais enviarem os ingredientes da paçoca.
Serão avaliados a socialização e a interação entre os alunos.
Período da aula
8h às 11h

Dia 3
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
A importância das Mulas no Tropeirismo
Resgatar as origens da população local.


Será contada a história para os alunos.
Vídeos.
Serão avaliados através de redação sobre o conteúdo proposto.
Período da aula
8h às 11h.

 Dia 4
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
Oficina de mulinhas de barro.
Fazer os alunos sentir como era o feitio e a comercialização das mulas de barro.
Depois da história contada no dia anterior os alunos entenderam a importância das mulas e de sua comercialização.
Argila doada pelos pais.
Os alunos exporão sua arte na Feira.
Período da aula
8h às 11h

Dia 5
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
Roupas típicas da época.
Perceber a diferença entre a roupa da época e as roupas de hoje, entenderem como as roupas da época eram confeccionadas de acordo com a necessidade do momento.
Confecção de roupas que será usada em desfile no dia da Feira.
Doação de tecidos e TNT.
Serão avaliados a assimila-ção da história.
Período da aula
8h às 11h.

Dia 6
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
Culinária: Feijão Tropeiro.
Aprender sobre os alimentos usados na época.
Visita na cozinha da escola, junto com a merendeira, onde os alunos farão a receita.
Ingredientes necessários para o feitio do Feijão.
Serão avaliados a socialização e a interação entre os alunos.
Período da aula
8h às 11h.

Dia 7
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
Roda de viola.
Percepção da importância das modas de viola aos tropeiros.
Confeccionar as violas em papelão.
Caixa de papelão, nylon e cola.
Serão avaliados a interação dos alunos e a montagem das violas.
Período da aula
8h às 11h.

Dia 8
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
A história do cururu.
Desenvolver a rima montando seu próprio repente.
Ensinar os alunos a fazer frases com rimas cantadas, de acordo com o que aprenderam com a história dos tropeiros e do cururu.
Livros de poesias.
Avaliação é feita de acordo com a interação e compreensão dos alunos. 

Período da aula
8h às 11h.
 
Dia 9
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
Caminho das Tropas.
Aprender as estratégias com o jogo do tropeiro.
Compreender o caminho que os tropeiros faziam ao sair de Viamão até chegar em Sorocaba
Computador
Serão avaliados a interação, memorização e compreensão dos alunos.
Período da aula
8h às 11h.

Dia 10
Conteúdos
Objetivos
Encaminhamento Metodológico
Recursos
Avaliação
Cronograma das Atividades
A história do Cordel

Compreender o cordel e como fazê-lo.

Ensinar a fazer histórias rimadas para montagem de livretos.

Cordéis já existentes.
Avaliado na interação dos alunos entre si e ao final da montagem dos cordéis.
Período da aula
8h às 11h.


2.3.         Passo 3 – Check List
CRONOGRAMA DA FEIRA CULTURAL REGIONAL
12:00 às 18:00
HORÁRIO
LOCAL
AÇÃO
RESPONSÁVEL
12:00 às 12:30
Palco Principal
Apresentação Cururu
Cido Garoto e Grupo (convidados) Professora Fernanda de Geografia
12:30 às 13:00
Palco Principal
Recitação de Cordel
Alunos do 4º ano A / Professora Tânia de Português
13:00 às 13:30
Palco Principal
Contação da História do Tropeirismo (fantoches)
Alunos do 4º ano B / Professora Maria Cristina de História
13:30 às 14:00
Quadra esportiva
Desfile de roupa tropeira
Alunos do 4º ano C / Professor Túlio de Artes
14:00 às 15:00
Cozinha
Receita do Feijão Tropeiro
Merendeira Dirce
15:00 às 15:30
Palco Principal
Apresentação do Cururu
Alunos do 4º ano D / Professora Tânia de Português
15:30 às 16:00
Cozinha
Oficina de Paçoca
Merendeira Sueli
16:00 às 17:00
Laboratório
Oficina de Mulinhas
Professor Túlio de Artes
17:00 às 18:00
Palco Principal
Orquestra de Viola
Orquestra de Viola Tropeira de Sorocaba (convidada)
18:00
Palco Principal
Palavras da Direção escolar e Agradecimento e Despedida
Diretor Milton


























** Os alunos do 4º ano A, juntamente com a professora de Português e a professora de Artes, confeccionaram Cordéis que ficaram expostos na sala de Artes para visitação.
** Os alunos foram nos dias 09 e 10 fazer uma visita ao Casarão de Brigadeiro Tobias, duas salas por dia, onde puderam ver exposições temáticas (arreio de cavalos adornados, louças da época, quadros pintados à mão (emolduradas) e muito mais).

2.4.         Passo 4 – Considerações Finais


A interdisciplinaridade tem a importância de formar um elo entre o entendimento das disciplinas nas suas mais variadas áreas. Dessa forma, tem abrangência em diversas temáticas e conteúdos permitindo recursos inovadores e dinâmicos, ampliando as aprendizagens.

De modo geral, a interdisciplinaridade, esforça os professores em integrar os conteúdos da história com os da geografia, os de química com os de biologia, ou mais do que isso, em integrar com certo entusiasmo no início do empreendimento, os programas de todas as disciplinas e atividades que compõem o currículo de determinado nível de ensino, constatando, porém, que, nessa perspectiva não conseguem avançar muito mais (BOCHNIAK, p. 21, 1998).


Com a interdisciplinaridade, o conhecimento recupera sua totalidade e complexidade, atingindo todos os envolvidos: os professores melhoram sua interação com os demais colegas e repensam suas práticas docentes; os alunos, por estarem desenvolvendo trabalhos em grupo, tem o ensino voltado para compreensão do mundo que os cerca; a escola, que tem sua proposta pedagógica refletida em todos e ganha como grandes parceiros também a comunidade em que os alunos estão inseridos, dando a chance deles compartilharem de seu mundo fora da escola.
Este desafio profissional proporcionou melhor compreensão da interdisciplinaridade, como uma proposta pedagógica de uma Feira Cultural é possível trabalhar da melhor forma possível a interdisciplinaridade, proporcionando o resgate, divulgação e valorização do trabalho em grupo, exercendo trabalhos dinâmicos em cima de um único tema (Tropeirismo), compostos por diversos integrantes, não apenas da escola, mas também com toda comunidade. 

3.    Referências Bibliográficas

BOCHNIAK, Regina. Questionar o conhecimento-Interdisciplinaridade na escola. São Paulo: Loyola, 1992.

FARIA, João Evangelista. Esboço histórico da comida do tropeiro. Sabores do Tempo dos Tropeiros – Caderno de Receitas. [On-line]. Disponível em: <http://www.tropeirosdasgerais.com.br/alimentacao.htm>. Acesso em 25 de abril de 2017.

GUERREIRO, Jackeline R. G. Desafio Profissional de Organização e Metodologia do Ensino Fundamental, Didática da História e da Geografia, Expressões Artísticas na Educação Infantil, Educação Aplicada aos cuidados da Criança, Avaliação e Currículo. [On-line]. Londrina, 2016, p. 1 a 9. Disponível em: <www.anhanguera.edu.br/cead>. Acesso em 03 de março de 2017.

JORNAL CRUZEIRO SUL. Prefeitura Promove a 47ª Semana do Tropeiro em Sorocaba. [On-line]. Disponível em: <http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/546746/prefeitura-promove-a-47-semana-do-tropeiro-de-sorocaba>. Acesso em 20 de abril de 2017.

_______________. Sorocaba e sua identidade tropeira. [On-line]. Disponível em:  <http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/474557/sorocaba-e-sua-identidade-tropeira>. Acesso em 03 de abril de 2017.

SANTOMÉ, Jurjo. Globalização e Interdisciplinaridade - O Currículo Integrado. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul LTDA, 1998.

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